Canudos e copos de plástico podem estar com os dias contados no DF

1 de agosto de 2018

A Câmara Legislativa deve votar, nos próximos dias, o Projeto de Lei 976/2016, de autoria do deputado Cristiano Araújo (PSD), que obriga os estabelecimentos comerciais utilizarem canudos e copos fabricados com produtos biodegradáveis, em substituição aos descartáveis, de material plástico comum. Os novos canudinhos e copos serão feitos a partir de matéria prima como amido e de fibras de origem vegetal.

“Queremos, com a nossa proposta, estabelecer uma medida ou política pública que vai proporcionar um ambiente ecologicamente equilibrado”, explica Cristiano.

O projeto vem ao encontro de estudos, análises e iniciativas que estão sendo adotadas no mundo todo contra as embalagens, copos e canudos de plástico, que são os principais vilões do meio ambiente.

Os modelos tradicionais de utensílios descartáveis utilizados no comércio são confeccionados com plástico comum, que demoram em média 100 anos para se degradar. Já os biodegradáveis demoram de 45 a 180 dias para se decompor.

Em meio à busca por alternativas ao plástico, outras opções já vêm sendo usadas, como canudos de metal, de vidro e até comestíveis.

O parlamentar também alerta para a necessidade de educar a população sobre o uso de materiais de plástico, como descartar corretamente esses objetos e pressionar pela adoção de novas tecnologias.

Leia matéria publicada hoje no portal do Correio Braziliense sobre o assunto.

Pensando em sustentabilidade, indústria busca opções ao canudo de plástico

Enquanto as propostas não viram lei, iniciativas individuais e de empresas contribuem para a mudança de comportamento dos consumidores

Banidos na cidade do Rio de Janeiro, os canudinhos podem estar também com os dias contados no restante do país. Projetos de lei em tramitação na Câmara dos Deputados preveem a proibição de uso, fabricação e comercialização dos tubinhos de plástico em todo o território nacional. Todos estão em discussão na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Com exceção de um deles, o PL 10.345, que dispõe sobre a diminuição gradativa, os outros determinam a proibição do fornecimento, venda, compra e disponibilização de canudos plásticos.

Na Câmara de BH, há duas proposições. O Projeto de Lei 614/2018, do vereador Elvis Côrtes (PHS) está sendo apreciado pela Comissão de Legislação e Justiça. Em fase mais avançada, o PL 557/2018, do parlamentar Jorge Santos (PRB), está pronto para ir a plenário. Ele obriga os estabelecimentos a fornecer canudos de papel biodegradável, reciclável e/ou reutilizável. Aos infratores, prevê como punição advertência escrita, multa que dobra na reincidência e cassação do alvará.

Enquanto as propostas não viram lei em BH, iniciativas individuais e de empresas contribuem para a mudança de comportamento dos consumidores na capital. A empresária Júnia Quick, por exemplo, decidiu que a partir de hoje em seus estabelecimentos de alimentação natural, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, canudos plásticos saem de cena para dar lugar aos biodegradáveis. Por enquanto, o fornecedor é de São Paulo. Mas, ela conta que já percebe um movimento por parte de empresas interessadas em vender o produto ecologicamente correto e, de outro lado, de lojas que querem mudar o que têm oferecido aos clientes. “O preço é bem mais alto, mas se justifica e não impacta no negócio”, relata a dona do Néctar da Serra.

“Já tinha esse desejo, e estamos sempre envolvidos com tudo o que diz respeito a reciclagem, fazendo o que podemos. O foco no canudinho é um início de conscientização contra o uso excessivo de plásticos e embalagens”, afirma. A empresária Renata Malloy Dias, de 42 anos, gostou da novidade. “Às vezes, você toma dois sucos e vêm dois canudos. Devolvo sempre o segundo. Fico satisfeita com a iniciativa, pois é algo que me aflige pessoalmente”, diz.

Mercado

No Mercado Central, um dos pontos de comércio mais tradicionais da capital mineira, os canudinhos de plástico estão por todos os lados. Dono da Lanchonete Palhares, Júlio César Palhares diz que gasta cerca de 500 por semana. Apesar de ser favorável às mudanças, ele considera adotar novos modelos apenas mediante lei municipal ou uma diretiva do mercado. “Tudo o que traz malefício ao meio ambiente tem que acabar. Não é um produto de necessidade para a maioria das pessoas”, afirma. A salgadeira Ana Maria Silva, de 61, lancha no mercado sempre que vai às compras. “A gente pega porque vê, mas os canudos deveriam ser abolidos”, diz.

Algo que já fez a Escola Casa Fundamental, no Bairro Castelo, na Região da Pampulha, onde canudos, simplesmente, não existem. “As crianças mais novinhas, que chegam com dependência de copo com canudo ou bico, se acostumam rapidamente”, relata. “Fazemos escolhas conscientes na escola, desde uma alimentação orgânica até não usar o canudinho. Ensinamos às crianças que as escolhas que fazem têm repercussão no mundo”, diz Maria Carolina Mariano, diretora da escola.

Fonte: Correio Braziliense, Junia Oliveira



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